Glossário Financeiro
Termos do mercado financeiro brasileiro explicados sem jargão. Atualizado conforme regras vigentes em 2026.
Amortização
Amortização é o pagamento gradual de uma dívida, parcela após parcela. Em cada prestação de um financiamento, parte do dinheiro vai para os juros do período e parte abate o saldo devedor — essa segunda parte é a amortização. Quanto maior a fatia de amortização em cada parcela, mais rápido a dívida se reduz.
Em financiamentos imobiliários brasileiros, os dois sistemas de amortização mais comuns são o SAC (parcelas decrescentes, amortização constante) e o Price (parcela fixa, amortização crescente). Você também pode fazer amortização extraordinária — usar dinheiro extra ou o FGTS para abater saldo, reduzindo prazo ou valor da parcela.
Calcular financiamento →CDI (Certificado de Depósito Interbancário)
O CDI é a taxa média de juros cobrada nos empréstimos de curtíssimo prazo entre bancos brasileiros. Como serve de referência para a maioria dos investimentos de renda fixa do país, virou sinônimo de "taxa básica de juros" no varejo: CDB, LCI, LCA, fundos DI e debêntures geralmente são oferecidos como percentual do CDI (ex: "110% do CDI").
O CDI acompanha de perto a Selic — historicamente fica cerca de 0,1 ponto percentual abaixo. Quando a Selic está em 11% ao ano, o CDI fica próximo de 10,9%. Por isso, em conversas sobre rendimentos, comparar com o CDI é praticamente o mesmo que comparar com a Selic.
Simular rendimento →CET (Custo Efetivo Total)
O Custo Efetivo Total é o número que mostra quanto realmente custa um financiamento ou empréstimo, considerando não só os juros mas todos os encargos: tarifas administrativas, seguros obrigatórios (MIP e DFI no caso de imóveis), IOF, taxa de avaliação, registro. É expresso como percentual ao ano, da mesma forma que a taxa de juros nominal.
Por lei (Resolução 3.517 do Banco Central), todo banco precisa informar o CET antes da assinatura do contrato. Comparar dois financiamentos olhando só a taxa de juros é enganoso — o que decide é o CET. Uma taxa de 10,99% pode ter CET de 12,5%, enquanto outra de 11,49% pode ter CET de 12,1%, sendo na prática mais barata.
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
O FGTS é uma reserva financeira formada por depósitos mensais que o empregador faz em conta vinculada do trabalhador CLT, equivalentes a 8% do salário bruto. O dinheiro fica na Caixa Econômica Federal e rende TR + 3% ao ano — rendimento abaixo da inflação na maior parte do tempo.
Pode ser sacado em situações específicas: demissão sem justa causa, aposentadoria, compra de imóvel, doença grave, e em algumas modalidades opcionais como o saque-aniversário. O uso mais valioso costuma ser na compra do primeiro imóvel: o FGTS pode ser usado para entrada, amortização ou pagamento de parcelas, e por render pouco, faz sentido tirar dali quando há oportunidade.
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
O IOF é um tributo federal cobrado em diversas operações financeiras: empréstimos, câmbio, seguros, e investimentos resgatados em menos de 30 dias. Em empréstimos, há uma parte fixa (atualmente 0,38%) e uma parte diária (0,0082% ao dia, limitada a 365 dias). É o que torna empréstimos de curtíssimo prazo proporcionalmente caros.
Em investimentos como CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto, o IOF é regressivo nos primeiros 30 dias: 96% no primeiro dia, caindo até 0% no 30º. Isso desestimula "saca-e-põe" — o título precisa ficar pelo menos um mês aplicado para que não se perca quase tudo em IOF. Após 30 dias, só o IR continua incidindo no resgate.
Juros Compostos
Juros compostos são juros que incidem sobre o valor inicial somado aos juros já acumulados em períodos anteriores — "juros sobre juros". É o regime padrão da matemática financeira moderna e o usado em praticamente todas as aplicações e dívidas do Brasil: poupança, CDB, Tesouro Direto, financiamentos, cartão de crédito.
O efeito dos juros compostos é exponencial: em prazos curtos a diferença em relação aos juros simples é pequena, mas em prazos longos vira uma distância gigante. R$ 10.000 a 10% ao ano por 30 anos viram R$ 40.000 em juros simples e R$ 174.494 em juros compostos. Por isso "o tempo é o melhor amigo do investidor".
Calcular juros compostos →Juros Simples
Juros simples são juros calculados sempre sobre o valor inicial da operação, sem incidir sobre os juros já acumulados. É o regime mais antigo e mais simples de calcular — daí o nome. Hoje, no Brasil, é usado em poucas operações: alguns empréstimos consignados, multas e juros de mora em contratos.
Na prática, juros simples só fazem diferença significativa em prazos muito curtos. Em prazos longos, a diferença em relação aos juros compostos cresce muito. Por isso entender a diferença entre os dois regimes é importante: leitor descuidado pode confundir 1% ao mês simples (12% ao ano) com 1% ao mês composto (12,68% ao ano).
Price (Tabela Price)
A Tabela Price é um sistema de amortização em que todas as parcelas têm o mesmo valor nominal do início ao fim do contrato. No começo, a maior parte da parcela é juros e pouca coisa amortiza o saldo; com o tempo, isso se inverte. É o sistema mais comum em financiamentos de veículos, empréstimos pessoais, cartão e crédito direto ao consumidor.
Em financiamento imobiliário brasileiro, a Price é menos usada que o SAC porque, em prazos longos e juros altos, paga muito mais juros no total. A vantagem é a previsibilidade: você sabe exatamente o valor de todas as parcelas. A desvantagem é que, no SAC, embora as primeiras parcelas sejam mais altas, o total de juros pagos costuma ser bem menor.
Comparar SAC e Price →RDB / CDB
CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro. Você empresta para o banco e recebe juros — geralmente atrelados ao CDI (90% do CDI, 100% do CDI, 110% do CDI, etc) ou prefixados. Tem cobertura do FGC até R$ 250 mil por instituição e por CPF, o que torna o investimento bastante seguro para valores dentro desse limite.
O RDB (Recibo de Depósito Bancário) é parecido com o CDB, mas não pode ser negociado antes do vencimento — só pode ser resgatado no prazo final. Isso o torna menos comum: a maioria dos investidores prefere o CDB pela liquidez. Ambos têm IR regressivo (22,5% até 180 dias, caindo até 15% após 720 dias).
SAC (Sistema de Amortização Constante)
No SAC, a amortização (a parte da parcela que abate a dívida) é constante em todas as prestações. Como os juros incidem sobre o saldo devedor, e este vai diminuindo a cada mês, a parcela total começa alta e vai caindo ao longo do tempo. É o sistema dominante em financiamento imobiliário brasileiro.
Comparado à Tabela Price, o SAC paga menos juros no total — em alguns casos, R$ 100 mil a R$ 200 mil a menos em um financiamento de 30 anos. A contrapartida é que as primeiras parcelas são mais pesadas no orçamento. Para quem espera renda crescente ao longo da vida, o SAC tende a ser a melhor escolha.
Comparar SAC e Price →SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo)
O SBPE é o sistema que canaliza recursos da caderneta de poupança para o crédito imobiliário. Por lei, os bancos são obrigados a usar parte dos depósitos da poupança em financiamentos habitacionais — é dali que sai o dinheiro de boa parte dos contratos de imóvel acima de R$ 350 mil no Brasil.
As taxas do SBPE costumam ser TR + percentual fixo (em 2026, em torno de 11,5% ao ano nos principais bancos) ou IPCA + percentual fixo. É a modalidade padrão de financiamento de imóveis usados ou novos fora dos programas habitacionais como Minha Casa Minha Vida.
Selic (Taxa Selic)
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Ela influencia todas as outras taxas do país: rendimentos de investimentos, taxas de empréstimo, financiamentos, juros do cartão de crédito. Quando o BC quer controlar inflação, sobe a Selic; quando quer estimular a economia, baixa.
Existem duas "Selics": a Selic Meta (definida pelo Copom) e a Selic Efetiva (a taxa diária real do mercado, que fica próxima da meta). O Tesouro Selic é um título público que rende quase exatamente a Selic Efetiva — por isso é considerado o investimento mais conservador do mercado brasileiro.
Tesouro Direto
O Tesouro Direto é uma plataforma do governo federal que vende títulos da dívida pública para pessoas físicas, com aporte mínimo a partir de R$ 30. Ao comprar um título, você empresta dinheiro ao governo e recebe juros em troca. Os principais títulos são: Tesouro Selic (acompanha a taxa Selic), Tesouro Prefixado (taxa fixa) e Tesouro IPCA+ (inflação + taxa fixa).
É o investimento de menor risco do Brasil, porque é garantido pelo Tesouro Nacional. Tem IR regressivo (22,5% a 15% conforme prazo) e taxa de custódia da B3 de 0,2% ao ano sobre o valor (isenta para o Tesouro Selic em estoque até R$ 10 mil). Para reserva de emergência, o Tesouro Selic é a escolha mais comum.
TR (Taxa Referencial)
A Taxa Referencial é uma taxa de juros calculada pelo Banco Central a partir das taxas médias dos CDBs prefixados de 30 dias dos maiores bancos do país, com um redutor que costuma deixá-la próxima de zero. Foi criada em 1991, no Plano Collor 2, e desde então perdeu importância — fica zerada na maior parte do tempo.
Onde a TR ainda aparece de forma relevante: na correção da poupança (TR + 6,17% a.a. quando Selic > 8,5%), no FGTS (TR + 3% a.a.) e em financiamentos imobiliários do SBPE (TR + percentual fixo). Quando a Selic sobe muito, a TR pode subir um pouco — o que afeta o saldo devedor desses financiamentos.
Observação: As definições deste glossário são informativas e educacionais. Regras tributárias, taxas e percentuais podem mudar — confira sempre a fonte oficial (Banco Central, Receita Federal, B3) antes de tomar decisões financeiras.